A campanha promovida pelo MEC explicita, mais uma vez, a sua visão fragmentada do sistema de ensino nacional. Nessa perspectiva, essa campanha representa desperdício absoluto de investimento com elevado risco de reforço de posições homofóbicas prévias, aprofundando o preconceito e ainda, de geração de preconceito inverso.
Educação de qualidade não se alcança com campanhas pontuias, mas com visão sistêmica e objetivos estratégicos de médio e longo prazo, tendo em vista a formação integral do educando por meio do desenvolvimento das suas potencialidades corporais, emocionais, afetivas, cognitivas e das suas capacidades de relacionamento interpessoal e inserção social.
Para o alcance da formação integral do aluno, há um currículo para cada curso, organizado por disciplinas que contemplam todas as áreas de conhecimento. Os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs – estabelecem as diretrizes para a programação dessas áreas de conhecimento e dos denominados temas transversais dentre os quais se incluem Educação Sexual e Ética.
É responsbilidade do MEC, promover políticas públicas que garantam a efetiva execução, monitoramento e controle dos projetos pedagógicos orientados pelos PCNS e para cumpri-la, alocar, eficazmente, pessoas competentes – não as recorrentes incompetências qualificadas – e recursos financeiros e materiais.
Mas para realizar sua função, a alta gestão do MEC teria que partilhar um intuito genuíno, um propósito superior e uma perspectiva de futuro em termos de qualidade para a Educação brasileira. Enquanto isso não ocorrer, o resultado é, e continuará sendo, a péssima qualidade do ensino no país e a má gestão do dinheiro público.
A pergunta que permanece: quem ganhou com a elaboração dessa campanha?