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Por Carmen Bragança em 15 de April de 2010

Em 11/04/2010, a Folha de São Paulo publicou um texto de Patrícia Gomes e Fábio Takahashi com o título: “Estudar em escola top não garante vaga na USP”

A reportagem divulga: “Estudar em um bom colégio de São Paulo pode até ajudar na hora de conseguir um emprego e um bom salário, mas não é garantia de aprovação na primeira opção de universidade dos alunos – a USP, para a maioria”.De acordo com uma pesquisa encomendada por um grupo de 11 escolas tradicionais da cidade ao Datafolha, com mensalidade média de R$ 1.600 no ensino médio, cerca de 60% de ex-alunos dessas instituições queriam estudar na USP, mas nem 30% estudaram lá”.

Reproduzo aqui o comentário que postei sobre a reportagem com o intuito de ampliar a reflexão sobre a divulgação de pesquisas pela mídia:

“Entendo que a pesquisa e os seus resultados têm significado específico no âmbito restrito do universo das escolas que a encomendaram cujo objetivo, tudo indica, deve ser o levantamento de dados e informações sobre a trajetória dos seus alunos, a partir da conclusão do Ensino Médio tendo em vista estabelecer objetivos e metas de ação.
Nessa perspectiva, qualquer especulação descontextualizadora que promova a generalização dos resultados dessa pesquisa é no mínimo um equivoco e compromete uma reflexão mais ampla e aprofundada que contemple uma visão sistêmica e estratégica do modelo da educação vigente em nosso país tendo em vista contribuir efetivamente para a superação do nosso déficit educacional.”

A partir desse pressuposto, outras questões se colocam.

A primeira se refere às práticas de gestão de projetos. Um projeto de investigação de determinado cenário institucional diz respeito ao seu planejamento estratégico do qual a instituição é proprietária. Nessa perspectiva, os gestores de projetos devem garantir procedimentos éticos respeitando o critério da confidencialidade. Por outro lado, se a instituição tiver por objetivo a divulgação dos dados da pesquisa que encomenda, o projeto, desde seu processo de iniciação, deverá contemplar esse objetivo e estabelecer estratégias de comunicação efetiva dos objetivos, da metodologia e das conclusões da pesquisa referenciando-a em seu contexto.

Do ponto de vista da divulgação da informação pela mídia, considero ser fundamental a contribuição de articulistas, jornalistas e repórteres como formadores de opinião em um país com 70% de analfabetos funcionais. Nesse contexto, a ética e o cuidado no trato da informação e da sua divulgação, sempre contextualizada, poderá contribuir para um novo nível de diálogo e de reflexão com os seus leitores.