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Por Carmen Bragança em 7 de October de 2009

Agradecemos à Profª. Karina Augusta Limonta Vieira que nos enviou o seu artigo Gestão escolar: os parâmetros sócio-antropológicos ampliando e aprofundando nossas reflexões sobre os processos de gestão nas instituições de ensino.

A Profª. Karina Augusta Limonta VIEIRA é pedagoga, Mestre em Educação escolar – UNESP/ S.P. Pesquisadora: N.I.P.I. (Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas sobre o Imaginário – UFPE) e CICE (Centro de Estudos do Imaginário, Culturanálise de Grupos e Educação) – USP

Este artigo tem como tema central abordar a gestão escolar sob os parâmetros da sócio – antropologia, evidenciando a necessidade de uma gestão escolar que valorize o macro (administrativo e burocrático) e o micro (subjetivo e afetivo), a fim de dialogar com a dimensão cultural e cotidiana da escola. As escolas estão envolvidas por planejamentos, planos, metas e avaliações. Esses aspectos são decorrentes de um sistema educacional que acompanhou o advento da industrialização e das Teorias Administrativas do século XIX. Contudo, o estilo empresarial que as escolas adotaram, deixaram de lado algumas características básicas da instituição escolar, como uma gestão que valorize a sua dimensão cultural e cotidiana. A partir dessas considerações trago uma perspectiva que procure dialogar com a dimensão cultural e cotidiana da escola e de cada comunidade escolar. Benno Sander em Gestão da Educação na América Latina descreve que a administração pública e a gestão da educação na América Latina sempre foram influenciadas por teorias advindas da Europa e dos Estados Unidos da América. O período colonial foi influenciado pela tradição jurídica, enquanto que o século XIX e a primeira metade do século XX foram influenciados pelo positivismo. Nesse contexto histórico os países não só adotaram as teorias administrativas, como também a cultura e os interesses políticos de outros países. O século XXI marca a entrada no novo milênio e com ele transformações econômicas e políticas em diversas partes do mundo, afetando a estrutura de interdependência internacional. Neste século busca-se voltar às origens culturais, protagonizando o desmoronamento da ideologia do Estado concentrador e restabelecendo a relevância cultural como fundamento da constituição de nações livres ou de Estados associados com novos conteúdos éticos e novos planos de ação. Para Swartzman (apud Sander, 1995) a nova matriz de poder mundial a ser construída coletivamente deve suplantar tanto a perspectiva dicotômica quanto a visão unidimensional na política e na sociedade, dando lugar a uma orientação multidimensional ou multiparadigmática com crescente conteúdo cultural.

Para Sander (1995), deve ocorrer um processo de construção e reconstrução das teorias organizacionais e administrativas no setor público e na educação. Dessa forma, observa-se uma crescente preocupação com as conseqüências da inadequação dos modelos organizacionais e administrativos no setor público e na gestão da educação. A prova disso foram estudos realizados nos anos sessenta e setenta, trazendo contribuições importantes para os anos oitenta na tentativa de superar as limitações das teorias institucionais da reprodução social e cultural vigentes. Na busca de superar a visão dicotômica e unidimensional da política e da sociedade e, conseqüentemente, da educação, autores da década de 90 preferem dar lugar a uma visão multidimensional e multiparadigmática que contenha o conteúdo cultural e a participação da comunidade escolar. Na gestão educacional isto significa “reconstruir as estratégias institucionais básicas, ou seja, na área institucional é necessário eliminar a tecnocracia manipuladora do tradicional modelo burocrático, centralizado e paternalista” (TRAGTENBERG, M.,1976:17). Nesse sentido, Porto e Teixeira (1997) trazem uma contribuição interessante apontando a pertinência da abordagem sócio-antropológica do cotidiano no tratamento da gestão da escola. Pensar diante desta perspectiva significa obter uma visão tanto macro – estrutural, quanto micro – estrutural das práticas gestionárias. A visão macro – estrutural baseada na administração clássica traz como principais objetos de importância a economia, por isso é importante também que se valorize o lado micro – estrutural. O lado micro – estrutural é importante para podermos entender elementos das práticas gestionárias e desmistificarmos as globalizações do planejamento clássico, no qual baseia-se a visão macro –estrutural (tradicional e burocrática). Diante da perspectiva sócio-antropológica não se deve esquecer que em uma escola não existe uma cultura, mas tantas culturas quantas forem os grupos sociais, que coexistem preservando a sua diferença/ especificidade/ multiplicidade, impondo que se trabalhe o paradoxo da unidade/multiplicidade, afinal a cultura consiste num elo que une os sistemas simbólicos cotidianos. Teixeira e Porto (1997) salientam um problema presente nas gestões escolares, a não participação da comunidade. Segundo as autoras esta participação é restrita ou não acontece pelo fato de as pessoas não terem a oportunidade de participar, sendo assim consideradas desinteressadas, alienadas ou descomprometidas com a educação. Por isso, para as autoras, as pesquisas relacionadas à gestão escolar precisam ser complementadas com a dimensão cultural, ou seja, compreender o que ocorre no cotidiano da escola, mais precisamente com os grupos que vivenciam as práticas cotidianas, tanto dentro da escola quanto fora da escola. Considerando que a escola possui a cultura organizacional e a cultura escolar, é fato que ambas se constituem em um processo conjunto que ocorre na escola. A cultura organizacional é a cultura das organizações (família, escola, empresa), e a cultura escolar é aquela quer se configura ao mesmo tempo como, cultura organizacional, cultura de grupos e cultura do cotidiano.

Para maiores informações sobre o tema veja a íntegra do artigo da Porfª Karina