Os resultados da avaliação dos cursos de Pedagogia publicados pelo Ministério da Educação e divulgados pela mídia hoje, confirmam as reflexões que, nesse espaço, temos proposto.
1 em cada 4 futuros professores do País se forma em cursos ruins
O governo tem que proteger a sociedade dos cursos caca níqueis, afirmam professores
Apenas 9 dos 763 cursos avaliados atingiram o resultado superior. 71 mil alunos em 292 cursos tiveram os mais baixos conceitos sendo que a quantidade de cursos ruins cresceu de 28,8% para 30,1% entre 2005 e 2009.
Esse cenário impõe uma investigação profunda e acurada se, de fato, houver vontade política para equacionar os fatores que sustentam essa espiral descendente da qualidade do ensino.
Enquanto isso não ocorre, gostaríamos de tecer algumas considerações:
Os cursos de Pedagogia e/ou Educação têm hoje 284 mil alunos e constituem a terceira maior área de graduação no país. Se o escopo das atividades acadêmicas é de baixa qualidade, quanto em termos de recursos humanos e materiais, assim como, de tempo estão sendo desperdiçados?
Esses cursos são responsáveis pela formação de professores, coordenadores, diretores e equipes técnico-pedagógicas das redes públicas de ensino. Nessa perspectiva, o modelo generalizado da incompetência qualificada aponta para a permanência da deterioração progressiva da nossa Educação.
Entretanto, competências consolidadas se destacam, como a da coordenadora do departamento de Pedagogia da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-RJ) – 1º lugar na avaliação do MEC, Maria Rita Salomão que implementou um novo modelo de curso:
- Reformulação curricular alinhada às novas diretrizes do MEC – 2007;
- Currículo mais denso com foco no mercado de trabalho;
- Formação teórica e prática: estágios;
- Abordagem interdisciplinar;
- Participação em projetos de pesquisa da pós-graduação.
- Atuação na rede pública através de convênio;
- Turmas pequenas: atendimento individualizado.
Para os profissionais oriundos de cursos ruins, segundo a coordenadora do curso de Pedagogia – UNESP – Marília, Tânia Brabo, a solução é a formação continuada. A formação permanente é inerente à atividade profissional em qualquer âmbito. As questões que permanecem são: Qual o significado implícito dessa ênfase em capacitação de professores? Como em São Paulo foram investidos pelo governo do Estado, R$ 2 bilhões em formação continuada de professores – Programa Teia do Saber (UNESP – Sorocaba) sem retorno em termos da melhoria do ensino da rede pública? Veja nossa publicação: R$2 bilhões, educação e governo. Resultado?