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Por Carmen Bragança em 24 de August de 2009

É com grande prazer que publicamos o artigo: ” E por falar em reformas…” da Profª. Regina Machado, nossa querida amiga, atualmente, residindo na França.

E por falar em reformas…

Enquanto em terras tupiniquins as reformas universitárias se preocupam com « a inclusão social » na França, a lei Pécresse – defendida pela ministra do ensino superior Valérie Pécresse – relativa às liberdades e responsabilidades das universidades, provoca reações diversas, na sua maioria desfavoráveis.

Essa lei prevê que até 2013, todas as universidades públicas, quase a totalidade, adquiram uma autonomia no plano orçamentário e de gestão dos recursos humanos, podendo tornar-se proprietárias de seus bens imobiliários. Essas medidas visam a revalorização de algumas universidades francesas.

Os estudantes são os que mais se manifestaram contra e no fim do primeiro semestre, final do ano letivo aqui, eles permaneceram em greve por mais de um mês, mas as mudanças irão ocorrer gradualmente de qualquer jeito.

O argumento é que com a lei Pécresse as universidades se tornarão entidades autônomas e portanto concorrentes. Os que são contra dizem que isso fará surgir as universidades « boas » e as « ruins ». Os favoráveis ao contrário, acham que essa concorrência pode ser benéfica estimulando a pesquisa e a excelência do ensino.

Outra coisa é que o Estado progressivamente deixará de financiar as universidades. Até o momento, esse financiamento era integralmente assumido pelo Estado. As universidades terão, a partir da reforma, que encontrar fundos complementares junto a empresas e indústrias locais. Os mais pessimistas dizem que isso acarretará também no aumento do preço das inscrições o que vai gerar a exclusão dos menos favorecidos. As universidades não serão mais administradas sob a forma de colegiado, mas cada diretor terá autonomia para decidir o rumo das pesquisas e a linha a seguir dos estudos em cada instituto.

Na verdade as mudanças estão apenas se delineando, ainda há muito a fazer e podemos questionar em que medida a subvenção vinda de fora e não mais do Estado, implicará em mudanças que visem a atender interesses econômicos dos grupos financeiros. Como serão selecionados os professores – pesquisadores para essas « super universidades » ? Ainda restam muitas questões sem respostas, mas o importante que o espaço para a manifestação e o diálogo é permitido e o governo não tomará nenhuma medida através de atos secretos. Toda e qualquer decisão é debatida na Assembléia e no Senado e nada é resolvido sem se considerar a vontade popular. Por aqui a máxima « Liberté, égalité, fraternité » ainda é muito levada em conta. – Regina Machado